quinta-feira, 23 de julho de 2009

AFROBANDA - PROJETO JOVENS EM AÇÃO

exta-feira, 3 de Julho de 2009

Reportagem

Saiu na Imprensa : Comunidade em ação - Na batida do timbau, na ginga da capoeira, fé em uma vida melhor em Cubatão em

01/07/2009 07:40:00
(64 leituras)


CIDADANIA

Entidade ministra cursos de bijuteria, capoeira, dança e instrumentos de percussão e acompanha desempenho escolar


O que faz: desenvolve ações complementares à escola formal, visando à capacitação de jovens, contribuindo para seu desenvolvimento e valorização de seu potencial.

Desde quando: 2006

Endereço: Rua São Francisco de Assis, 70, Vila Natal, Cubatão

Telefone: (13) 3361-6802

Blog: www.grupoafrobanda.blogspot.com

Projeto desenvolvido pela Sociedade São Vicente de Paulo, em Cubatão, prepara jovens para o mercado de trabalho e para a vida.


A batida forte dos instrumentos de percussão é acompanhada de sorrisos bem abertos. Os olhares dos jovens revelam orgulho e crença no futuro. Estamos na Sociedade São Vicente de Paulo, na Vila Natal, em Cubatão. É aqui que 200 meninos e meninas do projeto Jovens em Ação passam 11 horas, cinco dias por semana, aprendendo para poder atuar no mercado de trabalho e enfrentar os desafios impostos pela vida.

Maria Aparecida Carneiro Costa, COORDENADORA GERAL DE PROJETOS


Criado em 2006, o projeto já tem uma lista de espera com cerca de 600 nomes, de acordo com o coordenador musical Milton Custódio Simões. Contudo, é difícil abrir vaga.

"Essa é a segunda maior área de carência em Cubatão, em qualquer sentido, educacional, cultural, de lazer", afirma Simões.

O projeto, que conta com patrocínio da Petrobras e apoio do Conselho Municipal de Desenvolvimento da Criança e do Adolescente (CMDCA), atende jovens de 12 a 18 anos mas, por conta dos bons resultados e da adesão dos participantes, a entidade pensa em aumentar o tempo de permanência deles ali, passando a idade limite para 25 anos.

Os jovens atendidos são moradores da Vila Natal, Vila Esperança e adjacências, conforme a coordenadora geral de projetos da entidade, Maria Aparecida Carneiro Costa.

Luiz Guilherme Silva Santos, 14 ANOS Morador da Vila Esperança e o segundo de uma família de quatro filhos, desde 2006 o jovem é atendido pelo programa Jovens em Ação. "Toco todos os instrumentos de percussão", conta o garoto. "Antes, queria ser desenhista; agora, quero ser músico". Também antes de fazer parte do projeto, Luiz Guilherme não ia muito bem na escola. "Agora, tenho certeza de que vou passar de ano".


CURSOS

Quem participa do Jovens em Ação deve optar por um dentre os quatro cursos oferecidos: capoeira, dança livre e dança afro, percussão e bijuteria. E todos devem estar matriculados no ensino regular. De olho no desempenho de cada um, todo trimestre, a pedagoga da entidade, Eliete Aparecida Oliveira, e a assistente social, Maria Alzira Mesquita, avaliam os boletins escolares. "Dos nossos 100 matriculados no ano passado, só um foi reprovado na escola", conta, orgulhosa, Maria Aparecida.
As aulas dos cursos ocorrem sempre no contra-turno escolar (quem estuda de manhã participa do projeto à tarde e vice-versa), às segundas, terças e quintas-feiras, das 8horas às 9h30 ou das 13h30 às 15horas. Aos sábados,o atendimento é das 9 às 14 horas.

E, às sextas-feiras, eles participam do Aprendendo a Crescer.

"Eles têm aula com a pedagoga, participam de brincadeiras, assistem a palestras", explica Maria Aparecida. O curso de bijuteria já mostra resultados positivos, conforme a coordenadora de projetos.

Durante as aulas, os alunos também aprendem a fazer chaveiros e decorar chinelos.

"O pessoal acaba tendo uma renda", conta Maria Aparecida.

"No final do ano, teve gente comprando sua roupa de Natal, celular, bicicleta".

Outro sucesso do Jovens em Ação é o curso de percussão, que originou a Afrobanda, o xodó do projeto.


REFEIÇÃO

Durante o tempo em que permanecem na entidade, os jovens também recebem alimentação. Por mês, são servidas duas mil refeições, segundo Maria Aparecida. "Servimos café da manhã, almoço, lanche. Hoje, a alimentação é um atrativo",completa o coordenador musical.

Cursos inspiram jovens participantes

Dentre os quatro cursos oferecidos pelo Jovens em Ação, dois deles têm servido de inspiração para os participantes: o de instrumentos de percussão e o de capoeira. O primeiro conta com 30 participantes.

Os jovens têm aulas práticas e teóricas de instrumentos como bumbos, repiliques, atabaques e timbaus. Com a criação da Afrobanda, os participantes se uniram a outros 15, que formam o corpo de dança do grupo.

De acordo com o coordenador musical do projeto, Milton Custódio Simões, os alunos também estão aprendendo a tocar outros instrumentos, como trompetes e teclados. E o que aprendem já é mostrado durante as apresentações do grupo na região.

"É a mesma linha do Olodum", compara Simões.

"Temos um repertório variado: Tim Maia, Sandra de Sá, Ivete Sangalo, Daniela Mercury e Milton Nascimento", explica.

"Hoje, a Afrobanda é uma referência nacional".

Conforme o coordenador musical, a Afrobanda conta com músicos na percussão, trompete, trombone, saxofone, teclado e canto, além do grupo de dança moderna. O grupo também tem o auxílio do monitor de percussão Diego Moura.

CAPOEIRA

A pequena Savina Kelly dos Santos Nóbrega, de 15 anos, adora a roda de capoeira. Moradora da Vila Esperança, a jovem está no 2º ano do Ensino Médio.

"Comecei a capoeira no ano passado. Acho legal, por causa dos movimentos", explica Savina, que sonha fazer o curso de Medicina.

Raí Carvalho Silva e Alan Mendes de Castro, ambos de 15 anos, também estão na capoeira. Os dois participam do Jovens em Ação desde 2006. Raí faz capoeira desde os 8 anos de idade e já está na segunda graduação adulta.

"Aprendi muita coisa com a capoeira", afirma Alan.

"A gente aprende a ter mais responsabilidade na vida", prossegue o jovem, que já dá aulas de capoeira para crianças e pretende fazer faculdade de Educação Física.

"Me inspirei no meu professor ".

Para o professor Lucas Moreira dos Santos, que serve de inspiração para os jovens, a diferença de comportamento deles é visível com o passar do tempo.

"Antes, eles eram agressivos; agora, me ajudam", explica Santos, lembrando que, fora a disciplina, as notas deles na escola também melhoram.



200 meninos e meninas de 12 a 18 anos, estão cadastrados no projeto, que já tem lista de espera

"Eles chegam aqui muito sem rumo. E acabam tendo amigos e projetos profissionais"


AFROBANDA

Xodó do projeto, a Afrobanda é fruto do curso de percussão e venceu a fase municipal do Mapa Cultural Paulista categoria música instrumental .Aulas de capoeira têm reflexos na disciplina e nas notas dos alunos
.

COMUNIDADE EM AÇÃO:



Esta Reportagem foi publicada e retirada do Site: http://www.marciarosa.com.br/

Reportagem Feita Pelo Jornal A Tribuna.

DA REDAÇÃO de A Tribuna - por: SUZANA FONSECA - FOTOS RAIMUNDO ROSA

BANDA MARCIAL DE CUBATÃO

BANDA MARCIAL DE CUBATÃO
TRADIÇÃO E BELEZA

A banda encanta em desfiles na rua ou em concertos, pela qualidade do som e das coreografias.

Por: Morgana Monteiro

“Eu quero fazer um poema, rachado e sentimental como as bandas de música do meu país natal”. Estes são versos do escritor Oswald de Andrade. Até o mestre da irreverência entre os modernistas tinha total carinho pelas bandas de música, certamente um dos grupos musicais mais queridos do Brasil. Mas não é só isto. Nas cidades pequenas de todo o país, são elas, há muitos anos, a principal escola de música ao alcance de todos.

Em Cubatão, não é diferente: a Banda Marcial da cidade continua formando gente de talento e encanta por onde passa. Uma das marcas do Grupo tem sido a presença musical junto à comunidade.

Mantendo o perfil das bandas de desfile, a Marcial de Cubatão põe os pés no chão e segue adiante, com seus uniformes e sons, inconfundíveis. Para muitos é o ponto alto durante os desfiles cívicos, por exemplo. Cristina Alves, universitária, lembra da época em que era adolescente e procurava o melhor lugar nos canteiros da avenida 9 de Abril para esperar pela Banda Musical de Cubatão, tradição hoje cultivada com galhardia pela Marcial: "No momento em que os músicos e as meninas da Linha de Frente desfilavam, eu queria estar ali, junto. Acredito até que são momentos que estão no imaginário de todos nós, moradores", afirma.

E é no estratégico edifício da rua Fernando Costa, 433, chamada de "Casa da Banda Marcial" que tudo começa, durante os ensaios nas manhãs de domingo. O espaço é recente, mas a história do Grupo remonta dos anos 70 com a então Fanfarra Municipal. Tão logo oficializada, a Banda Marcial passou a ser figura de destaque nas mais importantes datas cívicas, comemorativas e eventos comunitários de toda a Baixada. Este ano, até agora, foram mais de 30 apresentações em Cubatão como na Campanha da Dengue, Festa Italiana, Festa da Banana e em cidades como Praia Grande, Guarujá, Bertioga.

Essa participação contínua da Banda em eventos garante até uma identificação com a comunidade. Tanto que o Grupo ostenta com orgulho a exclusividade na interpretação do Hino da Vila Esperança. Ao maestro Alexandre Felipe Gomes, regente da Marcial, coube o difícil encargo de dar vida à letra de Régio Alves, também autor do Hino da Cota 200.

O Hino foi lançado ao público no dia 7 de junho, na entrada do bairro, brilhantemente executado pelos músicos da Banda Marcial. Com um quadro de 47 músicos com idade entre 14 e 30 anos, e as 30 belas jovens integrantes do Corpo Coreográfico, o grupo vem expandindo a linha de atuação graças ao dinamismo e criatividade do maestro Alexandre, o seu idealizador.

A Banda Marcial de Cubatão tem experiência internacional. Sua última apresentação fora do país foi no Chile


Estilo e Repertório Versáteis

A Marcial é constituída de instrumentos de metal e percussão, tendo agregado neste ano de 2009 um naipe de saxofones, seguindo o modelo europeu contemporâneo, ampliando assim a abrangência do seu repertório. Hoje, atuando também na versão de Orquestra de Metais e Percussão, os músicos da Marcial abarcam todos os gêneros, desde a música erudita a clássicos da musica popular brasileira e internacional, alem de estimular o surgimento de varias formações de câmara, a exemplo do já conceituado "Per Sonare" – Sexteto de Metais e Percussão. O grande
Potencial e versatilidade já garantiram repetidas atuações em Encontro como o Festival Internacional de Bandas no Chile, um dos mais importantes da América Latina.

Pensando nos Músicos do Futuro

A formação musical nunca deixou de ser um dos focos do Grupo. Por isso, há dois anos, foi criada a Banda Marcial Infantil. Atualmente são 60 meninos e meninas que percorrem o mundo encantado da musica, desde as primeiras notas musicais, passando pela teoria e solfejo que os torna capazes de lerem uma partitura musical até alcançar a tão sonhada prática instrumental, um trabalho sério coordenado pelo professor Paulo Henrique de Paiva Souza.

A meninada, com idade entre 7 e 16 anos, é a prova viva de que a magia das bandas de marcha ou desfile continua viva na imaginário das pessoas.



Reportagem retirada do site :

http://www.cidadejornal.com.br

sábado, 18 de julho de 2009

COMPOSITORES - série

David "Dave" Warren Brubeck (6 de dezembro de 1920, Concord, Califórnia[1]) é um pianista de jazz norte-americano. Reconhecido como um gênio em sua área, ele compôs vários jazz standards, incluindo "In Your Own Sweet Way" e "The Duke"

Biografia

Vindo de uma família musical, Dave Brubeck começou a aprender piano aos 4 anos de idade com sua mãe e violoncelo aos 9.

Brubeck não era muito interessado em aprender por métodos, simplesmente queria compor suas próprias melodias e por isso nunca aprendeu a ler partituras. Ele evitava aprender a ler durante as aulas de piano de sua mãe, alegando dificuldade de visão. Na faculdade, Brubeck foi por quase pouco expulso do curso, quando um de seus professores descobriu que ele não sabia ler partituras. Muitos outros professores o defenderam apontando seu talento em contraponto e harmonia, mas a escola continuou com medo de que isso pudesse causar um escândalo, e só concordou em lhe dar o diploma se ele concordasse em nunca dar aulas de piano.

Após se formar em 1942 na University of the Pacific em Stockton, Califórnia ele ingressou no exército e serviu na tropa de George Patton durante a Batalha do Bulge em Ardennes, lá ele conhece Paul Desmond.

Estudou com o compositor francês Darius Milhaud e criou seu quarteto em 1951. Após o estudo com Milhaud, iniciou um octeto com a participação de Cal Tjader e Paul Desmond. Após uma primeira decepção, fundou um trio com dois dos antigos membros (sem Desmond). Finalmente fundou o The Dave Brubeck Quartet, com Joe Dodge, Bob Bates, Paul Desmond.

A gravação de Take Five, uma composição de Desmond, em 1959, transformou o quarteto num campeão de vendagens da época. O álbum continha somente composições inéditas, sendo que quase todas tinham uma métrica impar, entre elas estavam os clássicos Take Five e Blue Rondo à la Turk. A propósito, entre Brubeck e Desmond viria a se desenvolver, com o passar dos anos, um entrosamento quase telepático.

No meio dos anos 50 Bates e Dodge foram substituídos por Eugene Wright e Joe Morello. O quarteto desfez-se em 1967 e Brubeck continuou a tocar com Desmond e fez gravações com Gerry Mulligan. Brubeck tinha admiração por Duke Ellington e pela música erudita.

Seu quarteto atual inclui o saxofonista e flautista Bobby Militello, o baixista Michael Moore (que substituiu Alec Dankworth), e o seu baterista de longa data Randy Jones e trabalhou recentemente com a London Symphony Orchestra.

terça-feira, 9 de junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

OS TAMBORES DA TERRA


A percussão no Brasil

O índio foi o primeiro percussionista brasileiro.

Batendo um ritmo continuo no chão com os pés, usando a voz com sons guturais e tocando vários chocalhos; assim descreveram os colonizadores que aqui chegaram àquilo que viram e ouviram dos habitantes deste novo continente.

Localizadas em diversos pontos do então novo mundo, as várias nações indígenas já possuíam uma linguagem percussiva própria.

Foi com enorme curiosidade e medo que os índios escutaram pela primeira vez o som de tambores marciais, das caixas de guerra, o dos metais e até do bronze no sino, trazido pelos colonizadores.

A contribuição européia tornou-se mais um elemento rítmico e sonoro na percussão brasileira.

Porém, a terceira e mais forte influência foi sem duvida aquela trazida com a chegada dos escravos de origem africana.

Os africanos oriundos de diversas regiões e tribos com sua sólida tradição e cultura musical, possuíam amplo domínio dos tambores, madeiras e dos metais

(ferro e bronze).

Levadas para diversas regiões do país, este contingente de escravos negros superou grandemente a população indígena e branca, constituindo-se em uma ameaça à sociedade colonial e por isso, eram , os negros, severamente vigiados.

Tão evidente era a presença da percussão africana entre os escravos, que uma série de medidas foram tomadas para proibi-las.

Na Bahia em 1850, em conseqüência à Revolução dos Malês, foi proibida a entrada dos tambores Batá , em todos os portos do pais e ordenada à queima destes tambores para que nunca mais seus toques fossem ouvidos.

Assim, calava-se a voz destes tambores rituais que, além de seus toques sagrados, incitava os escravos a luta.

Em todo o país, proibiu-se a utilização de tambores e outros instrumentos de percussão nas igrejas.

Houve uma sistemática perseguição aos terreiros de candomblé, confiscando e queimando tambores e instrumentos rituais e musicais.

Decretou-se severa punição às manifestações lúdicas dos escravos, nas quais a percussão tinha um papel preponderante, como o batuque e a capoeira, por exemplo.

Essas proibições e punições não poderiam ser suficientes para controlar o grande numero de negros traficados para o Brasil.

De fato, o colonizador, ao trazer quatro milhões de mão-de-obra escrava, estava “importando” milhares de percussionistas, que, com seus toques tribais, sagrados e profanos, assustavam e ameaçavam o poder.

Esse caldeirão rítmico influenciou a música trazida pelos marinheiros europeus, a música da corte e a música tocada nas igrejas.

As formas musicais trazidas da Metrópole como o Fado, a Valsa e a polca tornaram-se ritmicamente mais vibrantes ao se misturarem à Fofa e ao Lundu,

Estilos mais populares.

Também cresceu o número de músicos que tocavam nas igrejas, nas casas e nas ruas.

Quem eram esses músicos que vão surgindo por todo o Brasil ?

São escravos, negros alforriados, mulatos e seus descendentes.

Estes intérpretes, africanos de origem, com sua fácil assimilação dos elementos musicais europeus e da pequena, mas presente, influencia indígena, desenvolveram um estilo particularmente brasileiro, em que a percussão se torna indispensável.

O lundu, já bastante popular e exemplo notável desta assimilação, passou a ser proibido nos salões por ser considerado um ritmo e dança indecorosos.

A manifestação popular européia dos três dias de carnaval recebeu, no Rio de Janeiro, o nome de Entrudo.

Pelas ruas desfilavam grupos fantasiados, cantando e tocando, e, entre eles, o Zé Pereira, figura típica do português, tocando bumbo ao lado de grandes bonecos

(gigantões).

Os negros e serviçais do palácio imperial, se apropriando da figura do Zé Pereira, organizavam um bloco de carnaval com bombos, caixas, pratos e os indispensáveis clarins, desfilando pelas ruas do Rio de Janeiro, tocando o Zé Pereira, agora com sotaque brasileiro.

Esta tradição permanece viva até hoje, principalmente em Ouro Preto, Minas Gerais, onde o clube dos Lacaios percorre as ruas da cidade, anunciando a abertura oficial do carnaval, tocando o ritmo do Zé Pereira.

Estes festejos também aparecem na cidade mineira de Mariana e no interior do estado de São Paulo.

Aproveitando a liberação dos costumes, durante o período carnavalesco, foram surgindo por todo o país inúmeros grupos de foliões, que trouxeram para as ruas cantos e toques de suas tradições culturais.

Desta forma, Bantos e Sudaneses as duas mais representativas etnias africanas no Brasil organizaram-se e saíram pelas ruas tocando e cantando em homenagem a seus orixás.

No Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais e principalmente na Bahia, começaram a aparecer os grupos de Afoxé.

Também conhecidos como candomblé de rua, estes grupos, formados unicamente por homens, marcavam a presença africana no carnaval.

Na Bahia, os afoxés Império da África, Mercadores de Bagdá, Filhos de Gandhi, e Pai Burukô, grupo criado por Deoscóredes dos Santos (mestre Didi), marcavam a presença dos terreiros no carnaval de Salvador.

Pelo inevitável processo de aculturação surgiram os afoxés de Índio e de Caboclo que seguiam o modelo africano diferenciando nos cantos e nos trajes.

Os grupos de afoxé foram se adaptando a várias modificações e, com o tempo,

Muitos deles extinguiram-se.

O afoxé Filhos de Gandhi é a representação máxima desta resistência cultural.

A cada ano, aumentando o número de seus componentes, veio criando algumas inovações como o uso de caminhão com amplificadores para voz e percussão.

Originalmente, cantando em idioma africano e com uma formação instrumental composta de *Ilus, Atabaques, Agogôs, Xequerés, tem no ritmo do *Gexá a sua característica principal.

Em Pernambuco, o Maracatu é a representação lúdica de uma corte real africana.

Com toda a sua pompa, luxo e seu ritmo inconfundível ocupam as ruas , desfilando ao som dos tambores aqui chamados *Alfaias, Xequerés e um enorme Agogô.

Este ritmo contagiante tornou-se uma das principais características do carnaval de Recife.

Nas ruas de Belém e de Manaus, os blocos indígenas agora aculturados e a tradição nordestina do Boi deram origem ao maior evento popular do norte do país, que é a festa de Parentins.

O ritmo sincopado do boi com seus variados sotaques disputam a preferência popular entre o Boi Azul e o Boi Encarnado.

Por meio destas e tantas outras manifestações populares a percussão revela a presença rítmica destas três vertentes da nossa cultura.

O Índio, O Branco e O negro.

A percussão no candomblé.

Os escravos africanos que vieram para o Brasil eram de várias etnias.

Duas delas se destacaram, Bantos e Sudaneses.

Levadas a várias regiões do país as diferentes nações etno-culturais e suas praticas religiosas foram aparecendo.

Os Gêge, Nagô, Keto, Angola, formaram os terreiros de candomblé, onde a percussão sempre foi um de seus fundamentos.

À medida que vão surgindo os terreiros das diferentes nações a percussão do candomblé sofre algumas influências da cultura do Índio e do Caboclo.

Tomando como exemplo a nação Keto:

O grupo é composto em media por cinco percussionistas que passam por um longo aprendizado ORAL dos toques cantos e danças dedicados a cada orixá.

Esses músicos chamados Alabês são os responsáveis pela percussão que toca nos terreiros e em diversos outros rituais.

Os atabaques utilizados são especialmente preparados, batizados e sacralizados e passam a ter uma importância primordial dentro do terreiro.

Qualquer pessoa que chega a uma festividade no terreiro deve primeiro saudar os atabaques antes de qualquer outro gesto, reza a tradição nagô.

Os atabaques são três;

Rum- atabaque maior com afinação mais grave.

Rumpi- atabaque médio com afinação mais alta.

Lé- atabaque menor com afinação aguda.

De acordo com a nação são tocados com as mãos e às vezes com Aguidavi, (galhos de arvore especialmente escolhidos e preparados para esta função).

No rum (atabaque maior) é comum a utilização do aguidavi somente na mão direita.

Enquanto o Rumpi e o Lé mantêm um ritmo mais contínuo o Rum tem uma execução bastante contraponteada conferindo-lhe assim uma criatividade maior.

Tendo uma função importantíssima e sendo várias vezes quem inicia o toque, o Gam (agogô), uma ou duas campânulas de ferro marca com mínimas variações as células rítmicas correspondentes a cada toque.

O quinto instrumento é o Xequeré, grande cabaça contornada por sementes chamadas de Lágrima de Nossa Senhora fazendo uma marcação bastante linear. As sementes podem ser substituídas por contas e também por conchas como modelos originais encontrados na África.

Com esta formação musical que ocupa um espaço destacado dentro do terreiro dá-se inicio a uma seqüência de toques e cantos que obedecem uma ordem pré- estabelecida tocando de três a sete musicas para cada orixá.

Cada orixá tem seu toque característico.

Exu, Ogum, Oxossi, Ossanha, Obaluaê, Oxumaré, Xangô, Iansã, Oxum, Nanã, Iemanjá, Euá, Obá, Oxalá.No final executa-se um toque dedicado a todos os orixás chamado Avania.

É prática comum, homenagear com toques e cantos orixás de outras nações assim também os Índios e os Caboclos.